Taxa de inadimplência: como calcular e por que ela esconde o que importa
Taxa de inadimplência é a fatia da sua receita que venceu e não foi paga. A fórmula cabe numa linha e todo relatório traz esse número. O problema é que ela mede o tamanho do buraco e não diz nada sobre a única coisa que muda o seu caixa: quanto desse buraco você consegue trazer de volta.
Como calcular a taxa de inadimplência
Divida o valor vencido e não recebido no período pelo total que deveria ter sido recebido nesse mesmo período, e multiplique por cem. Se você tinha 400 mil reais a receber em julho e 26 mil venceram sem pagamento, a taxa de julho é 6,5%. Fixe o critério de atraso antes de medir: contar a partir do primeiro dia ou a partir do trigésimo dá números muito diferentes, e trocar o critério no meio do ano inutiliza a série.
Qual taxa de inadimplência é aceitável?
Depende do setor, e comparar com a média do mercado ajuda pouco. Serviço recorrente com débito automático costuma viver entre 2% e 5%. Mensalidade paga por boleto, em educação, saúde ou academia, trabalha com faixas mais altas sem que isso indique problema. O parâmetro que decide alguma coisa é o seu próprio histórico: a taxa deste mês contra a dos últimos doze, no mesmo critério.
A métrica que falta no seu relatório
A taxa de recuperação é o valor que voltou dividido pelo valor que entrou em atraso, no mesmo recorte. Duas empresas com 6% de inadimplência são negócios completamente diferentes se uma recupera 20% e a outra recupera 65%. A primeira precisa vender mais para compensar; a segunda já tem o dinheiro dentro de casa. E recuperação é a métrica sobre a qual você tem controle direto, enquanto a inadimplência depende do bolso do cliente.
Por que medir por safra muda a leitura
Medir recuperação no mês em que o dinheiro entrou mistura dívida nova com dívida velha e esconde a tendência. Agrupe por safra: pegue tudo que venceu em março e acompanhe quanto dessa safra foi recuperado em 30, 60, 90 e 180 dias. É assim que aparece o que a taxa geral nunca mostra, que é o ponto exato em que a sua régua para de produzir. Na maioria das operações esse ponto coincide com o momento em que a equipe desiste, e não com nenhuma mudança de comportamento do devedor.
Onde o k1 entra
O k1 mantém o saldo de cada devedor vivo e atualizado, com o extrato mostrando o que foi cobrado, o que foi pago e o que sobrou. Isso é o que permite medir recuperação por safra sem exportar planilha, e é o que transforma a taxa de inadimplência de um número de relatório numa decisão sobre onde a sua régua precisa ir mais fundo.
Para continuar: quanto custa perseguir essa carteira e quando a dívida velha ainda vale a tentativa.
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Da métrica para a recuperação
Saber a taxa é o começo. O k1 é o que trabalha a carteira inteira, todo dia, para o número do mês que vem ser melhor que o deste.